Operações curitibanas estão em processo de expansão por meio de franquias, apostando em um segmento que demonstra musculatura para crescer na atual conjuntura econômica do país

No ano passado, o setor de franquias do Brasil teve um crescimento de 6,8% em faturamento, de acordo com estudo divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). O ramo de alimentação aumentou na mesma proporção, saindo de R$ 45,8 para R$ 48,4 bilhões no faturamento. Os motivos apontados pela entidade para a expansão do setor foi a melhora da confiança dos empresários e os sinais de retomada da economia.

Já em 2020, devido aos impactos da pandemia, o desempenho do franchising brasileiro decaiu um pouco, mesmo assim redes consolidadas continuaram expandindo, influenciadas pela queda da taxa básica de juros no Brasil. Quando se fala em investimentos, o primeiro raciocínio é buscar soluções no mercado financeiro, seja com as opções de baixo risco (como poupança e CDBs) ou de médio e alto risco (fundos atrelados à Bovespa ou o próprio mercado de ações). Em 2019, por exemplo, a inflação brasileira foi de 4,31%, e a poupança rendeu 4,26%. Ou seja, quem aplicou na poupança teve um retorno inferior ao da inflação: em outras palavras, perdeu dinheiro. Com essa análise do mercado, o investimento em franquias passou a ser algo muito atrativo para investidores.

Considerada um dos principais polos gastronômicos do Brasil, a cidade de Curitiba tem contribuído diretamente para a valorização das franquias alimentícias em todo o território nacional, mesmo neste período de crise. Várias marcas que tiveram origem na capital paranaense ganharam o país com o modelo de franquias. Recentemente, marcas como Sirène, especializada em fish & chips, Porks – Porco & Chopp, rede de pubs especializada em carne suína; Mais1 – Café, considerada atualmente a maior rede de cafés “to go” do país, e Bangalô dos Pastéis, rede de franquias especializadas em pastéis com recheio de verdade, explodiram em todo país com projetos de expansão ousados e cheios de personalidade.

Os planos

O Sirène, maior rede de fish & chips da América Latina, conta com sete lojas em operação espalhada por 5 cidades: Curitiba (PR), Balneário Camboriú (SC), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC) e São Paulo (SP). O investimento para abrir uma franquia da rede é a partir de R$ 180 mil, incluindo as taxas de franquia (suporte operacional, comercial e gestão de treinamento) e de implantação. A rede de fish & chips precisa de um espaço com metragem mínima de 80m2. A estimativa é que cada franqueado fature cerca de R$ 1 milhão por ano, sendo que o lucro líquido é de 10 a 15%, com tempo de retorno variando de 12 a 24 meses, de acordo com a praça e do investimento. “Estão aparecendo interessados novos todos os dias. A procura está grande”, comenta um dos sócios do Sirène, Afonso Natal Neto.

Já o Porks – Porco & Chope, que lançou seu projeto de expansão em 2019, já tem 13 unidades no país, distribuída em quatro estados. Recentemente, a rede inaugurou sua primeira unidade na região Nordeste do País, em Recife (PE). Atualmente, o Porks comercializa 10 toneladas de carne suína por mês e, até o final de 2020, pretende aumentar este número com a abertura de outras dez unidades.

O investimento total para a abertura de uma franquia da rede de carne suína custa em torno de R$ 130 mil, com payback entre 8 e 15 meses. O faturamento médio mensal de cada loja é de R$ 100 mil, com uma taxa de retorno próxima de 15%. Os números atraentes fizeram com que a marca chegasse rapidamente em grandes cidades do Brasil, conquistando um público fiel.  “Nós vendemos produtos de desejo a um preço acessível. Tornamos esses produtos acessíveis para todos. Isso ampliou o nosso espectro de clientes, pois existe a possibilidade de a pessoas gastar a partir de R$ 10. Além disso, o público ouve uma música de qualidade sem pagar couvert, já que isso é uma prerrogativa do ambiente, do negócio”, completa José Araújo Netto, fundador da rede Porks.

 A rede Mais1 – Café, grande fenômeno e referência do segmento, nasceu na capital paranaense em dezembro de 2019 e acaba de atingir a marca de 128 franquias comercializadas nas cinco regiões do país. Desde o início do mês de julho, foram negociadas mais de 78 novas unidades. Com investimento de R$ 110 mil e um mês para implantação, o franqueado recebe suportes nas áreas comercial, treinamentos, controle, engenharia, arquitetura e marketing. “Nossa estimativa é que o payback esteja em torno de 15 meses. A expectativa é de que cada unidade fature em torno de R$ 30 mil ao mês, com margem de lucro que varia de 15% a 20% para o franqueado”, conta Gare Marques, sócio fundador e diretor de marketing da Mais1 – Café.

Para completar, o Bangalô dos Pastéis, que já conta com nove unidades nos estados do Paraná e Santa Catarina, acaba de entrar no PEIEX – Programa de Qualificação para Exportação oferecido pela Apex-Brasil. As oportunidades para a exportação surgiram junto com o crescimento da nova linha de congelados, criada para driblar a pandemia. Para os próximos seis meses, a rede pretende fortalecer a marca nacionalmente, abrindo novas unidades também na região sudeste do país, para que, até o início de 2022, a internacionalização se torne realidade. Mesmo durante a crise, o Bangalô dos Pastéis já produziu mais de 3300 pacotes de massa, totalizando mais de 33 toneladas direcionadas tanto para franquias quanto para linha de varejo. Após a pandemia, a meta é triplicar esses números.

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