No próximo dia 30 é comemorado o Dia Mundial da doença, visando à conscientização da população

A Esclerose Múltipla afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo, sendo 35 mil brasileiros (Dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM). A doença possui maior prevalência entre pessoas de 20 a 40 anos, afetando principalmente as mulheres.

Ainda sem causa definida e não tendo cura, os pacientes dependem da evolução da ciência e da iniciação de um tratamento precoce para auxilia-los na melhora da qualidade de vida. A Esclerose Múltipla é uma doença crônica e autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico ataca indevidamente o isolamento que existe nas nossas células nervosas (bainha de mielina) nos nervos ópticos, medula espinhal e cérebro, causando inflamação e danos nesse isolamento, podendo afetar e degenerar também os neurônios.

Ela pode apresentar diversos sintomas, dentre eles, fraqueza muscular, fadiga intensa, dificuldade visual, alteração do equilíbrio e coordenação motora, disfunção intestinal e da bexiga. Todos eles, decorrentes da inflamação no sistema nervoso e perda permanente de células nervosas, esse processo ocorre até mesmo de forma assintomática (quando o paciente não identifica piora na condição clínica).

Por isso, além do diagnóstico precoce, é importante a iniciação de práticas que possam diminuir os sintomas e o avanço da doença. Estudos apontam que 40% dos indivíduos com Esclerose Múltipla estão fora do mercado de trabalho em nosso país, dados que revelam a importância de realizar um tratamento que consiga também possibilitar que o paciente tenha condições de realizar sua rotina diária da melhor maneira possível. ‘A introdução de exercícios físicos específicos para diminuir a perda da coordenação, equilíbrio e consciência corporal, possibilitam maior qualidade de vida para o paciente’, afirma o Educador Físico Lucas Serralheiro Cardoso, especialista em Prevenção de Lesões e Doenças Musculoesqueléticas.

O especialista ressalta que os principais benefícios a partir da inclusão de atividades física para quem sofre de EM, são: ‘a melhora na coordenação motora e equilíbrio, possibilitando que o indivíduo desempenhe melhor suas atividades diárias, também prevenindo possíveis acidentes devido à perda repentina dessa capacidade. Melhora na circulação sanguínea e prevenção de dores articulares, ou seja, diminuição das dores crônicas. Diminuição dos sintomas de depressão e ansiedade, devido à melhora na capacidade física, autoconfiança e liberação de hormônios relacionados ao prazer e bem-estar.’

De acordo com Felipe Mascarelo, também Educador Físico, e especialista em Musculação e Condicionamento Físico, a maneira pela qual será introduzida a prática de exercícios pode variar de paciente para paciente. ‘É necessário considerar seu histórico físico, como experiências anteriores ou atuais com exercícios físicos, partindo para a adequação da prática com o estágio atual da doença, e até mesmo incluindo atividades prazerosas para o indivíduo. É importante adaptar a atividade escolhida para beneficiar, de fato, as necessidades do praticante, por isso, é muito imprescindível à análise de um Profissional de Educação Física capacitado para identificar todas essas possibilidades e aplica-las da maneira mais eficiente e segura possível’, afirma.

Segundo os profissionais, de modo geral, o ideal seria começar a realização de atividades físicas de 3 a 5 vezes semanais, com duração entre 20 a 30 minutos. Dependendo da evolução do praticante, sessões com maiores durações podem ser introduzidas de maneira gradativa.

Para Mascarelo, exercícios como caminhada e fortalecimento muscular seriam ideais para indivíduos com EM. ‘Na caminhada, além dos benefícios cardiorrespiratórios, podem ser introduzidas práticas que melhoram a marcha e reestabeleçam o equilíbrio pleno do paciente, já no fortalecimento muscular, é preciso incluir exercícios que possam auxiliar na prática de atividades da rotina do paciente, como agachar, levantar, puxar, empurrar.’

 ‘Exercícios educativos ajudam na melhora da coordenação motora e agilidade, assim como, o fortalecimento específico, além de evitar lesões e acidentes, é importante para devolver a qualidade de vida e confiança do paciente’, ressalta Lucas Cardoso.

Entretanto, vale ressaltar que o exercício físico é apenas uma das vias de tratamento que o paciente pode e deve introduzir na sua rotina, assim como as outras práticas adotadas pelo médico, como o tratamento medicamentoso.

O programa de treinamento deve ser individualizado e respeitar as necessidades do praticante, tendo como principal objetivo o de tornar o tratamento ainda mais eficaz e evitar que o avanço da doença possa restringir e limitar as atividades diárias do paciente.

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