Coronavírus, Vírus, Protetor Bucal

De acordo com Marcelo Girade, professor em Mediação, ações mal pensadas em momentos delicados como este podem manchar a reputação de um país e refletir na sua economia e relações com o restante do mundo

No fim de janeiro (30), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de emergência global por causa da crescente disseminação do coronavírus e as nações começaram a realizar suas intervenções para se prevenir do contágio. Segundo o professor em Mediação e Resolução de Conflitos Marcelo Girade, o momento pode causar conflitos diplomáticos, uma vez que as ações de uma nação podem acabar tendo uma repercussão negativa entre os países.

Recentemente, o governo chinês criticou duramente os Estados Unidos por ter iniciado restrições contra cidadãos chineses em consequência da epidemia do novo vírus. De acordo com a porta voz de diplomacia de Pequim, Hua Chunying, os americanos estão espalhando o pânico e medo para a população global.

Marcelo Girade acredita que esse embate se dá pela estratégia de ambos os países, favorecendo o conflito. “Uma das maneiras mais efetivas de resolver situações como essa é não traçar linhas entre os países e estabelecer o habitual ‘nós e eles’. Em termos de humanidade, estamos todos do mesmo lado. Esse não é um problema só da China. É um problema de todos nós”, explica. 

Para o especialista, a atuação das nações devem ser em conjunto já que ambos os países possuem um relacionamento diplomático de longo prazo. “Os governos devem estar mais atentos para não gerar um ciclo de reciprocidade negativa. Se uma restrição é necessária, ela deve ser feita dentro de uma base de respeito e confiança. É exatamente porque a situação é delicada que o trato diplomático deve ser a prioridade”, garante.

Além da preocupação com a saúde da população, a epidemia do Coronavírus também interfere no mercado, já que influencia também na imagem da China internacionalmente. Na avaliação de Girade, é necessário que o país gere confiança para manter a boa reputação. Por isso, é fundamental que todas as ações sejam planejadas nesse sentido.

No caso do Brasil, que já conta com alguns casos de suspeita do vírus, o país precisa fazer movimentos em concordância com órgãos nacionais e internacionais. “Isso permite justificar suas ações e ao mesmo tempo demonstrar para os demais países a lógica das suas estratégias. Colocar-se à disposição para cooperar, sinaliza uma iniciativa importante”, recomenda o especialista.

Para lidar com crises internacionais como esta, é sempre desejável que as nações utilizem da diplomacia para gerar cooperação dentro de uma base de bom relacionamento e confiança. 

“A cooperação entre os países é a chave para lidarmos com crises como essa de forma mais rápida, mais efetiva e menos onerosa, inclusive do ponto de vista de vidas humanas. Comportamentos cooperativos são propensos a ocorrer em ambientes onde existe respeito, confiança e uma comunicação clara, objetiva e não adversarial. Toda declaração feita, mesmo em uma simples frase nas redes sociais, têm um grande impacto positivo ou negativo, dependendo de quem a profere. Essa é uma lição muitas vezes esquecida por alguns dirigentes”, conclui Girade.

Marcelo Girade – Professor de Resolução de Conflitos, CEO da M9GC e Membro da Comissão Especial de Mediação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o especialista comenta sobre assuntos relativos a negociações, mediações e resoluções de conflitos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui